
A Longa Jornada
Nesta jornada difícil do viver, colhi estrelas
que se desfizeram em minhas mãos feito purpurina.
Pisei em sonhos ainda menina e feri meus pés
descalços em espinhos que as rosas não desejavam ter.
Cortei caminhos acreditando que os atalhos
me fariam chegar primeiro mas me perdi,
e tantas vezes senti medo de estar sozinha.
Errei tantas vezes e mil vezes ainda erraria
para conquistar as coisas nas quais acreditei.
Fui frágil e pequenina
e tornei-me gigante através do sofrimento.
As decepções foram tatuando em minha alma
uma estrada ,não de dor ,mas de calmaria
e certeza de que é preciso ingerir o amargo
para se deliciar com o mel.
Chorei todas as minhas mágoas,
sofri minhas perdas,deixei cair o pano de fundo
que no meu palco escondia os corredores
frios dos meus bastidores.
Conheci o horror que pode compor um ser humano
e assim cheguei mais perto do amor que pode recupera-lo.
Cantei canções com a voz embargada pela emoção;
escrevi versos que jorraram sem rima do meu coração.
Sobrevivi a temporais e a furacões
que tiraram tudo do lugar.
Faxinei minha vida por tantas vezes e, em nenhuma delas
consegui jogar fora minhas memórias.
Reconstruí um país dentro de mim onde as flores
não tem espinhos, onde os caminhos não tem atalhos
e onde não existem cortinas para esconder os sentimentos.
Tristeza e alegria fundiram-se em meus dias
e sou grata por isso.
Por ter caminhado pelos quatro lados da vida ,
por ter pecado e ter sido perdoada,
por ter em minha morada o fácil perdão.
Agradeço por ter sido julgada, e tantas vezes
injustamente condenada sem que as algemas
conseguissem fechar em meus pulsos.
Amei verdadeiramente minha essência...
meus pais e irmãos e a vida simples que me ofertaram.
Nessa essência de amor procriei e nos meus filhos
vejo à cada dia uma benção e a recompensa
deste caminhar sofrido.
Juntei uma legião de amigos sem raça, sem cor,
muitas vezes sem rosto
e com muito gosto faço-os caminhar a meu lado.
Hoje, a juventude é distante e a pele de pêssego
já não mais existe.
Porém, cada ruga que a vida desenha gentilmente
em meu rosto torna-me o oposto da irreverência .
Sou hoje calmaria e, nas águas claras que banham
meu dia -a-dia, sou folia de reis, sensatez
e gratidão por tudo que a vida me deu.
Sou grata pelo amor que em mim foi semeado
no passado e pelo tanto quanto floresceu.
Sou a sobrevivente de tantos finais e isso me impulsiona
a seguir como uma contadora de historias para aqueles
que um dia chegarão ao meu ninho.
Nesta jornada difícil do viver, colhi estrelas
que se desfizeram em minhas mãos feito purpurina.
Pisei em sonhos ainda menina e feri meus pés
descalços em espinhos que as rosas não desejavam ter.
Cortei caminhos acreditando que os atalhos
me fariam chegar primeiro mas me perdi,
e tantas vezes senti medo de estar sozinha.
Errei tantas vezes e mil vezes ainda erraria
para conquistar as coisas nas quais acreditei.
Fui frágil e pequenina
e tornei-me gigante através do sofrimento.
As decepções foram tatuando em minha alma
uma estrada ,não de dor ,mas de calmaria
e certeza de que é preciso ingerir o amargo
para se deliciar com o mel.
Chorei todas as minhas mágoas,
sofri minhas perdas,deixei cair o pano de fundo
que no meu palco escondia os corredores
frios dos meus bastidores.
Conheci o horror que pode compor um ser humano
e assim cheguei mais perto do amor que pode recupera-lo.
Cantei canções com a voz embargada pela emoção;
escrevi versos que jorraram sem rima do meu coração.
Sobrevivi a temporais e a furacões
que tiraram tudo do lugar.
Faxinei minha vida por tantas vezes e, em nenhuma delas
consegui jogar fora minhas memórias.
Reconstruí um país dentro de mim onde as flores
não tem espinhos, onde os caminhos não tem atalhos
e onde não existem cortinas para esconder os sentimentos.
Tristeza e alegria fundiram-se em meus dias
e sou grata por isso.
Por ter caminhado pelos quatro lados da vida ,
por ter pecado e ter sido perdoada,
por ter em minha morada o fácil perdão.
Agradeço por ter sido julgada, e tantas vezes
injustamente condenada sem que as algemas
conseguissem fechar em meus pulsos.
Amei verdadeiramente minha essência...
meus pais e irmãos e a vida simples que me ofertaram.
Nessa essência de amor procriei e nos meus filhos
vejo à cada dia uma benção e a recompensa
deste caminhar sofrido.
Juntei uma legião de amigos sem raça, sem cor,
muitas vezes sem rosto
e com muito gosto faço-os caminhar a meu lado.
Hoje, a juventude é distante e a pele de pêssego
já não mais existe.
Porém, cada ruga que a vida desenha gentilmente
em meu rosto torna-me o oposto da irreverência .
Sou hoje calmaria e, nas águas claras que banham
meu dia -a-dia, sou folia de reis, sensatez
e gratidão por tudo que a vida me deu.
Sou grata pelo amor que em mim foi semeado
no passado e pelo tanto quanto floresceu.
Sou a sobrevivente de tantos finais e isso me impulsiona
a seguir como uma contadora de historias para aqueles
que um dia chegarão ao meu ninho.
Márcia Medici
(Beatriz por um triz*)
(Beatriz por um triz*)
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