sexta-feira, fevereiro 29, 2008


Soneto de Aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida

Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura

À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amigo meu, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(Texto extraído da antologia
"Vinicius de Moraes
Poesia completa e prosa",
Editora Nova Aguilar, pág. 451)

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